Demora um tempo até que se saiba que as coisas essenciais são apenas aquelas que não morrem.
Nesse dia, quando esse entendimento nos atinge, a gente percebe que a maior parte de nossa existência é feita de coisas que não são, pois não deixam raízes de vida em nós.
Quanta gente vem... e passa pela nossa vida... mas enquanto estavam presentes, tinha-se a impressão que sem elas não se poderia mais viver.
Uma vez idas..., com o passar do tempo, vê-se que elas não eram eternas em nós.
O essencial é apenas aquilo que é feito de imorredouro amor!
Em geral o amor essencial faz com que as pessoas assim significadas em nós, fiquem conosco... em convívio.
No entanto, acontece também com muita freqüência que as coisas e significados essenciais não fiquem sob o nosso teto.
Nesse caso, a alma tem apenas duas alternativas: ou sofre a ausência do essencial e se amargura ante sua ausência; ou, então, aprende a vencer o sentimento de posse e, assim, abraça o essencial com o abraço de quem deixa livre, e apenas se satisfaz com o privilégio de conhecer significados essenciais.
Há quem conheça tais significados mediante o afastamento pela morte, como quando você ama eternamente um 'alguém' que lhe foi colhido pela morte.
No entanto, pode-se conhecer o amor essencial, que é aquele que sofre tudo e jamais acaba, mesmo quando as pessoas que assim amamos, vivem na Terra, mas estão longe de nós; e nós delas.
Nesse caso, o “longe” pode doer até a morte..., a menos que se vença o sentimento de posse e se ofereça aquele amor como dádiva nossa à vida.
Jesus ensinou o “amor recíproco” como sendo algo natural...
Afinal, “até os gentios amam assim”—ensinou Ele.
Entretanto, o que Ele estabeleceu como amor divino foi justamente aquilo que nós chamamos de amor catastrófico.
Sim, porque Jesus ensinou que o verdadeiro amor transcende a necessidade de reciprocidade, como é o caso de se amar aquele que nos julga como um inimigo.
Além disso, Jesus também ensinou a liberdade de amar sem medo de não haver a “compensação no amor”, que é a reciprocidade.
Isto porque para Ele o ato de amar é a própria recompensa do verdadeiro amor.
“O amor jamais acaba” apenas quando ele deixa de ser amor-posse e se converte em dádiva, em graça, em fidelidade ao próprio coração.
Do contrário, se o amor é condicionado a alguma forma de compensação, ele é eterno apenas enquanto dura a “negociação afetiva”.
A diferença entre o amor que “é eterno enquanto dura” e “o amor que jamais acaba”, é que o primeiro se estabelece como negociação e compensação, e os segundo se satisfaz em apenas ser.
Felicidade é poder viver o amor que é eterno com o viço do amor que é eterno enquanto dura.
Nesse caso, a compensação de tal amor é dar... e o ato de receber não é uma expectativa, mas sim uma dádiva que se acolhe como graça.






























.jpg)





