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Quando
se fala em gestos de amor, na imaginação de alguns aparecem demonstrações
grandiosas postas diante dos olhos do mundo para que todos vejam.
No entanto, o
amor não necessita ser acompanhado de um tom exagerado e, sim, de
espontaneidade.
O amor é
tão generosamente simples que não precisa de manifestações estupendas para se
revelar.
Muitas
mulheres, em algum momento de suas vidas, sonharam com um homem aos pés,
fazendo juras de amor eterno, coberta de mimos, ao que se pergunta: para que
tanto?
A um homem
que diz “eu amo voce” não há que se impor mandar dúzias de rosas à mulher amada a
cada aniversário ou data especial de sua história.
Basta
uma flor retirada de um jardim com a impetuosidade dos enamorados, um olhar
nitidamente sincero e a cumplicidade dos amantes, que aplaina questionamentos e
afasta a angústia sobre a reciprocidade do sentimento.
A uma
mulher que deseja mostrar o quanto ama não se exige devoção extrema ao seu
amado nem ofuscar a si mesma pelo outro.
São
suficientes os gestos do cotidiano repetidos com ternura, exalando delicadeza
em cada instante: um beijo de reencontro, um abraço estimulante, uma receita
caprichada para o manjar a dois.
E ao
par, nenhuma prova de fidelidade, apenas a certeza de que ambos são leais ao
amor.
Dos
filhos não se cobrem expressões incontestes e frequentes do que sentem pelos
pais.
A
confiança dá firmeza à relação, garantindo que podem uns contar com os outros e
que não haverá desamparo na tristeza nem ausência na alegria. Filhos e pais
sobrevivem aos solavancos e às rusgas porque aprenderam a superar os desafios
do crescimento e a curar as feridas com o perdão mútuo.
O
carinho a permear as atitudes corriqueiras deve ser fluido e permanente.
Amigos
são mananciais de amor, mas não requeiram deles abrir espaço demasiado em sua
intimidade para oferecer abrigo a todas as pessoas de seu convívio.
Já é
bastante que estejam em nossas vidas e que estendam a mão a um apelo mais
urgente.
Amizade
duradoura tem sinceridade e dispensa intromissão que sufoca.
Um
telefonema de vez em quando, um recado por e-mail, um cartão no aniversário,
pequenas gentilezas fazem muito pelo relacionamento, mais do que não sair da
vida de alguém sequer para que ele aprenda o que é independência.
E são
tão bons os amigos ao alcance de um afago, de uma palavra ou de uma ajuda na
hora “H” de um dia “D”, e é muito afetuoso o acolhimento em meio a desabafos,
assim como brindes com risadas fartas.
Não
carece que companheiros de trabalho convivam como amigos de infância.
Respeito
é consideração que não se dispensa e, na maioria das vezes, é o que melhor
define um bom ambiente profissional.
Não
precisa transformar a organização em que atua numa espécie de segundo lar, mas,
sim, não tratar os colegas como inimigos ou concorrentes dispostos a lhe tirar
o chão.
Uma
conversa animadora faz milagres pela estima que gostaríamos de ter. Prestar
auxílio sem expectativa de recompensa ou elogio, compreender os limites alheios
e aceitar o modo de ser dos outros são confirmações de humanidade.
Esperar
que o amor se revele com grandiloqüência, ostentação e aparatos de produção
cinematográfica pode levar à enorme frustração e, pior, dificulta perceber o
que as pessoas fazem de bonito, embora com singeleza, para festejar a nossa
presença.
Por
isso, deixamos de agradecer a quem se levanta para nos trazer um copo d´água
quando estamos com sede e preguiça, desliga a tv e apaga a luz quando
cochilamos, faz a sobremesa que adoramos, puxa as cortinas para um sono
reparador, caminha sem fazer barulho para não nos acordar, faz um café do jeito
que gostamos, abre uma brecha na agenda para nos ver no meio da semana, compra
alguma coisa que é “a nossa cara”, traz um lanchinho quando viramos a madrugada
trabalhando, confidencia um segredo ou conta novidade em primeira mão, chama
para sair num sábado em que estamos sozinhos, encontra uma informação útil para
nós e liga num dia qualquer só para dizer que não nos esqueceu.
Gestos
de amor são miudinhos.
O que é
grande mesmo é o amor e a sua essência.
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