2 de julho de 2012

FORMA DE AMAR EM GESTOS DE AMOR


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Quando se fala em gestos de amor, na imaginação de alguns aparecem demonstrações grandiosas postas diante dos olhos do mundo para que todos vejam. 
No entanto, o amor não necessita ser acompanhado de um tom exagerado e, sim, de espontaneidade.
O amor é tão generosamente simples que não precisa de manifestações estupendas para se revelar.

Muitas mulheres, em algum momento de suas vidas, sonharam com um homem aos pés, fazendo juras de amor eterno, coberta de mimos, ao que se pergunta: para que tanto?
A um homem que diz “eu amo voce” não há que se impor mandar dúzias de rosas à mulher amada a cada aniversário ou data especial de sua história.
Basta uma flor retirada de um jardim com a impetuosidade dos enamorados, um olhar nitidamente sincero e a cumplicidade dos amantes, que aplaina questionamentos e afasta a angústia sobre a reciprocidade do sentimento.
A uma mulher que deseja mostrar o quanto ama não se exige devoção extrema ao seu amado nem ofuscar a si mesma pelo outro.
São suficientes os gestos do cotidiano repetidos com ternura, exalando delicadeza em cada instante: um beijo de reencontro, um abraço estimulante, uma receita caprichada para o manjar a dois.
E ao par, nenhuma prova de fidelidade, apenas a certeza de que ambos são leais ao amor.

Dos filhos não se cobrem expressões incontestes e frequentes do que sentem pelos pais.
A confiança dá firmeza à relação, garantindo que podem uns contar com os outros e que não haverá desamparo na tristeza nem ausência na alegria. Filhos e pais sobrevivem aos solavancos e às rusgas porque aprenderam a superar os desafios do crescimento e a curar as feridas com o perdão mútuo.
O carinho a permear as atitudes corriqueiras deve ser fluido e permanente.

Amigos são mananciais de amor, mas não requeiram deles abrir espaço demasiado em sua intimidade para oferecer abrigo a todas as pessoas de seu convívio.
Já é bastante que estejam em nossas vidas e que estendam a mão a um apelo mais urgente.
Amizade duradoura tem sinceridade e dispensa intromissão que sufoca.
Um telefonema de vez em quando, um recado por e-mail, um cartão no aniversário, pequenas gentilezas fazem muito pelo relacionamento, mais do que não sair da vida de alguém sequer para que ele aprenda o que é independência.
E são tão bons os amigos ao alcance de um afago, de uma palavra ou de uma ajuda na hora “H” de um dia “D”, e é muito afetuoso o acolhimento em meio a desabafos, assim como brindes com risadas fartas.

Não carece que companheiros de trabalho convivam como amigos de infância.
Respeito é consideração que não se dispensa e, na maioria das vezes, é o que melhor define um bom ambiente profissional.
Não precisa transformar a organização em que atua numa espécie de segundo lar, mas, sim, não tratar os colegas como inimigos ou concorrentes dispostos a lhe tirar o chão.
Uma conversa animadora faz milagres pela estima que gostaríamos de ter. Prestar auxílio sem expectativa de recompensa ou elogio, compreender os limites alheios e aceitar o modo de ser dos outros são confirmações de humanidade.

Esperar que o amor se revele com grandiloqüência, ostentação e aparatos de produção cinematográfica pode levar à enorme frustração e, pior, dificulta perceber o que as pessoas fazem de bonito, embora com singeleza, para festejar a nossa presença.
Por isso, deixamos de agradecer a quem se levanta para nos trazer um copo d´água quando estamos com sede e preguiça, desliga a tv e apaga a luz quando cochilamos, faz a sobremesa que adoramos, puxa as cortinas para um sono reparador, caminha sem fazer barulho para não nos acordar, faz um café do jeito que gostamos, abre uma brecha na agenda para nos ver no meio da semana, compra alguma coisa que é “a nossa cara”, traz um lanchinho quando viramos a madrugada trabalhando, confidencia um segredo ou conta novidade em primeira mão, chama para sair num sábado em que estamos sozinhos, encontra uma informação útil para nós e liga num dia qualquer só para dizer que não nos esqueceu.
Gestos de amor são miudinhos.
O que é grande mesmo é o amor e a sua essência.

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