9 de julho de 2012

COMO OBRIGA-SE... O AMOR ?


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Desta vez, meu olhar está na figura que não demonstra em sentimentos, o seu amor, ou, no desamor não há muito o que se demonstrar. 
Meu olhar está naquela pessoa que não ama, mas, que também não é ímpia, não é má no seu desamor. Apenas... não ama!
 
Este sentimento possui variações de pessoa pra pessoa. 
Cada um ama como aprendeu a amar, e diante das situações mais variadas, complexas, pra ser entendida de maneira simplista, como se neste assunto fosse algo matemático... exato.
Não! Não o é!
De maneira racional, analisemos...
Recentemente uma jovem ganhou uma causa na justiça contra seu pai alegando que este nunca havia lhe oferecido afeto.
Se não me engano obrigaram seu pai a lhe pagar cerca de duzentos mil reais por tê-la negligenciado amorosamente.
Quedei-me a meditar sobre este evento.
Até que ponto o amor pode ser obrigado?
Mais ainda, até que ponto o amor deve ser uma obrigação e deve prestação de contas à justiça?
Ora, o amor faz parte da moral, não do direito, o amor não se comanda, pois não é um dever.
O amor deve ser espontâneo.
Ele se constitui uma virtude, não um fardo.
O dever é uma coerção, a virtude uma liberdade
Segundo Kant o dever é um jugo, uma tristeza, enquanto que o amor é uma espontaneidade alegre.

O amor faz parte da moral porque precisamos da moral quando ele falta.
O amor evidentemente faz falta.
O dever conclama: age como se amasse.
Quando existe amor, não se torna necessária a obrigação, pois ele age com alegria e realiza as tarefas que, quando ausente, torna-se um dever.

Geralmente a mãe amamenta e cuida do filho com prazer; o marido é afetuoso com sua mulher, com prazer; a esposa trata bem o marido com prazer.
Quando se ama pequenos gestos tornam-se naturais, tais como um beijo de despedida, um bom dia carinhoso, um gesto ou palavra dócil na hora de dormir. 
É prazeroso voltar para casa e pronunciar a famosa frase lar doce lar, quando se ama.
Mas, que sacrifício voltar para casa e enfrentar aquele ou aquela a quem não mais se ama.
Que sacrifício ter que tomar conta de alguém que não se ama, e isto pode acontecer.
A mãe que sofre de depressão pós-parto, involuntariamente nem quer ver o filho, muitas das vezes.
Porém, isto é uma exceção, parte da doença.
Ou, quando a criança é indesejada, que tortura deve ser tomar conta dela, mas isto também é uma exceção, pois o natural seria amar e cuidar de seu filho ou filha.
Quando este amor não existe, então vem o dever e obriga os pais a cuidarem dos filhos, embora não sejam esses cuidados carregados de afeto.
Li um anúncio colado em vários postes pela cidade: 
"Trabalho de amarração.
Trago seu amor de volta. Resultado garantido, pague somente após o resultado."
Questiono novamente: que valor tem um amor trazido de volta à força?
Às custas de um trabalho de amarração e, ainda por cima, do inferno?
O nome já sugere: Você virá para mim nem que seja à força, amarrado. Segundo alguém prático na vida, o amor verdadeiro diz: 
Vá de encontro a você mesma, pois você somente conseguirá me amar se for você mesma.  
Sim, o amor verdadeiro só terá condições de subsistir se você entrar em um relacionamento inteiro como ser humano. Cem por cento! 
E, veja bem... ainda não conseguimos ser (100%) conosco mesmos... imagina, isto sendo cobrado do outro?

Rubem Alves, psicanalista, afirma que a saudade é o chão do amor.
Já Hélio Pellegrino, psicanalista e poeta, afirma que a liberdade é o chão do amor.
Espaço, liberdade, espontaneidade, constituem o amor como virtude, não como dever ou obrigação, portanto, nenhum oficial de justiça, nenhuma multa, nenhuma quantia pode substituir ou ressarcir a ausencia deste  amor.
Sua falta se faz sentir em todo relacionamento.
Ele é necessário em nossa vida, mas precisa ser real e espontâneo, prazeroso, tanto para quem ama como para quem recebe o amor.

Que possamos aprender a amar e a receber, sem cobranças, com liberdade e espontaneidade, com respeito à privacidade e, até mesmo, à individualidade.
Vale à pena amar e ser amada dessa maneira!
Do contrário, pra mim, valor nenhum há!
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