1 de junho de 2012

SÓ VIVEMOS UMA VEZ!




Só vivemos uma única vez nesta vida!
Não há outra, como muitos pensam... 
Não teremos outra vez.
Não, ninguém espere outra chance.
Nascemos condenados ao horror de ver a ampulheta sangrar areia, os calendários acelerarem, os relógios se fracionarem em milésimos de segundos.
Vamos morrer.
E depois que tudo tiver cumprido o seu destino, restará o quê?
Diremos: “E agora, que a faca cortou, a lira tocou, o sol iluminou e o soldado matou?”.
Sobrarão nossos vestígios.

Um dia todos passarão.
Não ficará ninguém para observar nada.
Meros rastros empoeirados testemunharão para o vazio que alguém andou por aqui.
Mas a estrada permanecerá deserta.

Como serão os escombros?
Nas universidades, livros, teses, nomes, que nada significam; nos museus, paisagens mortas; nos quartéis, medalhas enferrujadas; nos bancos, cofres lacrados; nos templos, bolor.

Depois de exercer a sua missão, o próprio tempo deixará de existir.
Não haverá antes e depois.
O assobio do vento não precisará viajar até ouvidos atentos.
Se antes tudo era mudança, tudo se tornará estático.
Terminarão as causas e os efeitos.
Cessarão os contrastes.

Sem olhos, não existe beleza.
Vitrais intactos perderão o esplendor; ninguém vai declarar alumbramento. Serão inúteis: por do sol, lua cheia, maré em ressaca, pororoca.
Flautas, trompetes, pianos, pandeiros, harpas, jazerão em palcos desabitados diante de auditórios ausentes.

Somos um nadinha no tempo e nossa vaidade, uma neblina.
O Eclesiastes também quer sacudir:
“O destino do homem é o mesmo do animal; o mesmo destino os aguarda. Assim como morre um, também morre o outro. Todos têm o mesmo fôlego de vida; o homem não tem vantagem alguma sobre o animal. Nada faz sentido! Todos vão para o mesmo lugar; vieram todos do pó, e ao pó todos retornarão” [3.19-21].

Não demora e tudo deixará de ser.
Breve seguiremos o caminho dos mortais, bem como o próprio planeta, que se apagará como se apagam as estrelas.
Desapareceremos todos como desaparecem os vermes.
Portanto, enamoremo-nos.
Vivamos o instante impreciso.
Aspiremos o ar como se dele viesse o elixir da juventude.
Abandonemos resmungos.
Não nos exilemos nas masmorras que a neurose cria.

O tempo se chama agora.
O dia é hoje.
A vida é eterna devido à impermanência – eixo paradoxal.

Tornemo-nos jardineiros de prados.
Saiamos das estufas climatizadas.
Sejamos menos especialistas e mais aventureiros.
Corramos mais riscos.
Desobedeçamos aos cabrestos.
Testemos nossa forma afoita que nos ocorre.
Encarnemos a abundancia do afeto.
Assumamo-nos no que temos de MELHOR.

Antes que chegue o fim, fecundemos a vida com ternura.
Borboleteemos o pólen do amor.
As moradas eternas são vizinhas nossas.
Mudemo-nos para lá enquanto é tempo.