Só vivemos uma única vez nesta vida!
Não há outra, como muitos pensam...
Não
teremos outra vez.
Não,
ninguém espere outra chance.
Nascemos
condenados ao horror de ver a ampulheta sangrar areia, os calendários
acelerarem, os relógios se fracionarem em milésimos de segundos.
Vamos
morrer.
E depois
que tudo tiver cumprido o seu destino, restará o quê?
Diremos:
“E agora, que a faca cortou, a lira tocou, o sol iluminou e o soldado matou?”.
Sobrarão
nossos vestígios.
Um dia
todos passarão.
Não
ficará ninguém para observar nada.
Meros
rastros empoeirados testemunharão para o vazio que alguém andou por aqui.
Mas a
estrada permanecerá deserta.
Como
serão os escombros?
Nas
universidades, livros, teses, nomes, que nada significam; nos museus, paisagens
mortas; nos quartéis, medalhas enferrujadas; nos bancos, cofres lacrados; nos
templos, bolor.
Depois
de exercer a sua missão, o próprio tempo deixará de existir.
Não
haverá antes e depois.
O
assobio do vento não precisará viajar até ouvidos atentos.
Se antes
tudo era mudança, tudo se tornará estático.
Terminarão
as causas e os efeitos.
Cessarão
os contrastes.
Sem
olhos, não existe beleza.
Vitrais
intactos perderão o esplendor; ninguém vai declarar alumbramento. Serão
inúteis: por do sol, lua cheia, maré em ressaca, pororoca.
Flautas,
trompetes, pianos, pandeiros, harpas, jazerão em palcos desabitados diante de
auditórios ausentes.
Somos um
nadinha no tempo e nossa vaidade, uma neblina.
O
Eclesiastes também quer sacudir:
“O destino do homem é o mesmo do
animal; o mesmo destino os aguarda. Assim como morre um, também morre o outro.
Todos têm o mesmo fôlego de vida; o homem não tem vantagem alguma sobre o
animal. Nada faz sentido! Todos vão para o mesmo lugar; vieram todos do pó, e
ao pó todos retornarão” [3.19-21].
Não
demora e tudo deixará de ser.
Breve
seguiremos o caminho dos mortais, bem como o próprio planeta, que se apagará
como se apagam as estrelas.
Desapareceremos
todos como desaparecem os vermes.
Portanto,
enamoremo-nos.
Vivamos
o instante impreciso.
Aspiremos
o ar como se dele viesse o elixir da juventude.
Abandonemos
resmungos.
Não nos
exilemos nas masmorras que a neurose cria.
O tempo
se chama agora.
O dia é hoje.
A vida é
eterna devido à impermanência – eixo paradoxal.
Tornemo-nos
jardineiros de prados.
Saiamos
das estufas climatizadas.
Sejamos
menos especialistas e mais aventureiros.
Corramos
mais riscos.
Desobedeçamos
aos cabrestos.
Testemos
nossa forma afoita que nos ocorre.
Encarnemos
a abundancia do afeto.
Assumamo-nos no que temos de MELHOR.
Antes
que chegue o fim, fecundemos a vida com ternura.
Borboleteemos
o pólen do amor.
As
moradas eternas são vizinhas nossas.
Mudemo-nos
para lá enquanto é tempo.


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