24 de novembro de 2012

UMA EXPERIÊNCIA...




As pequenas alegrias é que substanciam a felicidade. 
Desde cedo aprendi que a felicidade com letras maiúsculas não existia, mas, ainda dava a ela o benefício da dúvida. 
Afinal, desde que nos entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas.
Um pôr-de-sol aqui...
Um toque ali...
Um abraço silencioso acolá - sem vontade de desabraçar...
Um beijo roubado tão desejado...
Um livro que a gente não consegue fechar...
um alguém que nos faz sonhar...
Um amigo que nos faz rir…
São situações e momentos que vamos empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem... alegrias de pequeno e médio porte e até grandes  momentos.

Eu contabilizo tudo de bom que me aparece.
Se o abrir da minha janela faz-me ouvir o cantar de passarinhos, meu sorriso se instala e o coração se torna grato por aquele espetáculo - tão particular, tão meu... se por outro lado, pego um congestionamento muito menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de alegria e vivo cada segundo.’

Fui uma daquelas garotas que cresceu esperando a felicidade com letras maiúsculas e na primeira pessoa do plural: ‘Eu me imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares mágicos’. Tive isso? Sim! E, não foi uma única vez... afinal, casei-me muito cedo e cedo fiquei viuva.
Ha algum tempo, descobri que viajando com freqüência por causa de meu trabalho, que dá pra ser feliz no singular:‘Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de pura alegria. Olho a paisagem, canto e sinto um bem-estar indescritível’.
E, o que mais me alegra é que esta circunstancia ela é a escolhida, não é por necessidade, não é por carência, ou, solidão... é opção mesmo. Aprendi a amar minha companhia.
Sem contar que, com a maturidade, ficamos mais exigentes, criteriosos e seletivos.

Uma empresária-amiga me contou que estava falando e rindo sozinha quando o marido chegou em casa.
Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando:
‘Comigo mesma’, respondeu. ‘Adoro conversar com pessoas inteligentes’.
Criada para viver grandes momentos, grandes amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.
Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos.
Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o hoje... o agora. Pois, é o que temos.
Faço aqui a ressalva, mulheres assim, como nós (a empresária e eu) não desprezamos a companhia de nossos namorados ou maridos, apenas, somos independentes deles emocionalmente.
E quem for ruim de contas recorra à calculadora para ir somando as pequenas alegrias.
Podem até dizer que nos falta ambição, que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos.
Que digam!
Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso de espera.

Pense nisso... 
MBB