As pequenas alegrias é que substanciam a felicidade.
Desde cedo aprendi que a felicidade com letras maiúsculas não existia, mas, ainda dava a ela o
benefício da dúvida.
Afinal, desde que nos entendemos por gente aprendemos a
sonhar com essa felicidade no superlativo.
Na vida
real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas.
Um
pôr-de-sol aqui...
Um toque ali...
Um abraço silencioso acolá - sem vontade de desabraçar...
Um beijo roubado tão desejado...
Um livro que a
gente não consegue fechar...
um alguém que nos faz sonhar...
Um amigo que nos faz
rir…
São
situações e momentos que vamos empilhando com o cuidado e a delicadeza que
merecem... alegrias de pequeno e médio porte e até grandes momentos.
Eu
contabilizo tudo de bom que me aparece.
Se o
abrir da minha janela faz-me ouvir o cantar de passarinhos, meu sorriso se instala e o coração se torna grato por aquele espetáculo - tão particular, tão meu... se por outro lado, pego um
congestionamento muito menor do que eu esperava, tenho consciência de que são
momentos de alegria e vivo cada segundo.’
Fui uma daquelas garotas que cresceu esperando a felicidade com letras maiúsculas e na primeira pessoa do plural: ‘Eu me imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares mágicos’. Tive isso? Sim! E, não foi uma única vez... afinal, casei-me muito cedo e cedo fiquei viuva.
Ha algum tempo, descobri que viajando com freqüência
por causa de meu trabalho, que dá pra ser feliz no singular:‘Quando
estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de
pura alegria. Olho a paisagem, canto e sinto um bem-estar indescritível’.
E, o que mais me alegra é que esta circunstancia ela é a escolhida, não é por necessidade, não é por carência, ou, solidão... é opção mesmo. Aprendi a amar minha companhia.
Sem contar que, com a maturidade, ficamos mais exigentes, criteriosos e seletivos.
Sem contar que, com a maturidade, ficamos mais exigentes, criteriosos e seletivos.
Uma
empresária-amiga me contou que estava falando e rindo
sozinha quando o marido chegou em casa.
Assustado,
ele perguntou com quem ela estava conversando:
‘Comigo mesma’, respondeu. ‘Adoro conversar
com pessoas inteligentes’.
Criada para viver grandes momentos, grandes amores e
aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por
prazeres mais simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver
momentos ótimos mesmo não estando acompanhadas e que não tem sentido esperar
até que um fato mágico nos faça felizes.
Esperar
para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos.
Como
tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o hoje... o agora. Pois, é o que temos.
Faço aqui a ressalva, mulheres assim, como nós (a empresária e eu) não desprezamos a companhia de nossos namorados ou maridos, apenas, somos independentes deles emocionalmente.
E quem
for ruim de contas recorra à calculadora para ir somando as pequenas alegrias.
Podem
até dizer que nos falta ambição, que essa soma de pequenas alegrias é uma
operação matemática muito modesta para os nossos tempos.
Que
digam!
Melhor
ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso
de espera.
Pense nisso...
MBB


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