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Como é bom voltar pra casa!
Para cada cantinho que seu cuidado e amor construíram, onde você faz seu ninho, até de baguncinhas...
Em casa tudo é melhor; tudo tem seu jeito, seu cheiro, seus afundamentos físicos — do travesseiro às cadeiras (rs).
É o lugar onde as noites não escurecem a visão, onde tudo é achado de olhos fechados, onde os recantos são países de cultura própria e as flores são conhecidas desde o broto.
Duas semanas fora de casa, e as árvores mudam, os recantos gritam suas saudades, e cada coisa parece ter se ressentido de sua ausência.
Voltamos para casa, somente eu... uma filha ficou no Rio, os mais próximos estenderam a estada, a de lá permaneceu em outro lugar maior e melhor.
Dói.
Dói deixá-los, mesmo aqueles que depois voltarão...
Dói muito mais beijar os que ficam... (Mãezinha e Paizão)
Por outro lado, quanto aos filhos — todos adultos — é tão bom ver que eles são eles; que vivem bem sem você; que sentem sua falta, mas que sabem viver suas vidas com felicidade e total desenvoltura.
Alguns filhos parecem mudar quase nada, jamais... outros vivem em estados mutantes, ainda em fases de procura de si mesmos ou de alguém ou algo...
Faz parte!
Você se lembra de si mesma quando os observa... e, portanto, aguarda com mais calma do que eles o que eles ainda em sofreguidão parecem procurar...
Estar com eles, todos juntos, é festa até quando cansa.
O simples fato de vê-los em conversas entre si parece ser para você o assistir a uma festa na sala de um Palácio.
Eles são a sua coroa de gloria na Terra.
Como é bom também ver que as energias deles são infindáveis para tudo...
Você ama, aproveita, mas, de vez em quando, quer um canto, um quarto, uma cama de silêncio...
Então, dá uma descansadinha e volta...
E lá estão eles, imbatíveis em suas conversas, em seus planos e suas armações de praias e saídas noturnas — chova ou faça sol.
Então você lembra que um dia já foi assim também.
Lembra, mas não sente saudade... afinal, ir amadurecendo e sossegada é muito bom mesmo.
Dizem que quem casa quer casa, e, quer mesmo...
Todavia, quem mais quer casa é aquela para quem ela e a casa se casaram na vida, no cotidiano, nos detalhes, nas lembranças, nos confortinhos de coisas mínimas, nas certezas de notas e pedacinhos de papel, de livros na estante, de Biblia Sagrada na cabeceira da cama para ser aberta e lida e refletida e revelada em seu coração pelo Espirito Santo de Deus.
Ali está o silencio da sua vida, bem como estão os ritos do seu cônjuge (quando o tem vivo ao seu lado)
São os mesmos ruídos de sempre... são as mesmas calmas dinâmicas... são até os mesmos pássaros, dos quais você já conhece os hábitos e até os ninhos e os horários.
Tenho muita pena de quem tendo casa não ama nela estar, sim, dos que se servem da casa como apenas um lugar... sem cara, sem identidade, sem o tricô das muitas historias e historinhas... com as marcas e até pequenas sujeirinhas: um pé de um filho fez aquilo...; um vinho manchou aquele assento...; uma chuva violenta quebrou aquele galho...
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Dorme-se melhor em casa.
Acorda-se melhor em casa.
Fica-se doente em melhor conforto em casa.
E quando falo de casa, não falo de um lugar especifico, mas sim de sua relação com qualquer lugar no qual um dia suceda o outro com amor nas esteiras de um tempo de mínimas acomodações históricas e psicológicas.
Casa - que pode ser um Flat ou apartamento - de fato, somos nós... nós na nossa paz... nós na expressão de nossas histórias e almas.
Assim, a casa (apartamento) é sempre própria, mesmo quando não lhe pertence — como é o caso da minha - atualmente -, e que não é minha.
Entretanto, depois de alguns anos, até o proprietário sente que o que pertence a ele, é, de fato, seu; pois carrega seu cheiro, sua cara, suas tralhas, seu amor, seus cuidados e suas histórias de vida, carinho e reverencia para com a vida vivida naquele lugar.
A gente viaja.
Vai a lindos e confortáveis lugares.
Os aproveitamos, os curtimos...
Mas não há nada melhor do que abrir a porta da nossa casa, de volta para o mesmo que tem o poder de se renovar na mesmice que não pede mudanças fora, mas apenas a seqüencia da paz de dentro.
Creio que no curso da vida eu tenha viajado muito.
Todavia, não é de hoje que assim me sinto.
E com o passar do tempo, assim me torno.
Sim, mais uma mulher de casa; mais um ente de cantinhos; mais uma mente que viaja sem precisar sair do lugar.
Dentro de um mês devo viajar outra vez.
Mas não é pela casa que cansou.
Farei isto para dar à mente um choque de ambiências, o que é também saudável para a renovação da vida.
Tudo, porém, visando o retorno; pois, como sempre dizemos ao voltar, nada é melhor do que estar neste lugar/existencial que chamo 'cantinho'... lugar de estar e de ser.
Sim; pois este cantinho é lugar de ser; de santificar; de andar como quem caminha à volta da Sarça Ardente.
Por isto se diz: “Portas à dentro em minha casa eu terei um coração sincero”.
Daí também se mandar viver “a vida comum do lar com toda dignidade e bom senso, a fim de que não sejam interrompidas as nossas orações”.
Casa-Cantinho sou eu e todos os que comigo vivem, ainda que temporariamente.
Todos os que compartilham o mesmo pão juntos e que constroem rotinas de vida harmônica.
No caso de você viver sozinho [a], sei que é a mesma coisa, posto que, meu cantinho verdadeiro está em outra Cidade do Paraná, desde que o espirito sereno esteja sempre lotado de boas companhias invisíveis aos olhos... porém, sentidas como paz naquele lugar.
Sim!
Casa é ethos, é telhado de bem que nós fazemos para o conforto do nosso ser!
Portanto, não importando onde você viva um dia depois do outro, faça um bom cantinho em você... o qual criará extensões singelas e simples, mas que serão você.
NEle... em Quem tenho a minha eterna morada, cheia de cantinhos meus e Dele...
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