Tenho dias, em que me apetece escrever(-lhe).
Para mim escrever é mais que juntar palavras e formar frases.
Escrever é muito mais que (re)produzir frases bonitas, procurar palavras "caras" e encontrar adjectivos raros com o propósito de impressionar, sensibilizar, motivar, magoar (seja o que for)..
Escrever é conseguir transpôr por palavras emoções.
Aquilo que se sente, que se vive... e isso, nem todos conseguem.
Os que conseguem fazem arte, talvez possuam um dom (não sei).
Sei que escrevia tão naturalmente, que os dedos "fugiam" pelo teclado, constantemente inspirada, cada palavra ganhava um significado que nem eu conseguia descrever.
Na escrita exprimia-me e fazia dela o que "a realidade de gente que como eu se identificava por também ser gente".
Agora?
Escrevo menos, em sendo o que mais gosto de fazer... os dedos continuam a percorrer o teclado, mas desta vez, cansados, cada vez que o faço parece não fazer sentido, falta-me inspiração, motivação, falta-me algo...
Vejo que a exustão é um dos impedimentos no meu dia a dia, e que, na hora calma, sem perturbação externas... já estou querendo mais ir para cama do que sentar na frente do notbook e deixar a alma falar, querendo apenas que a alma aquiete-se.
Depois de muitos dias assim,
Hoje sinto que...
...perdi a "minha melhor parte"!


A arte de ser feliz
ResponderExcluirHouve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Autor: Cecília Meireles