21 de dezembro de 2010

SER SENSIVEL À SENSIBILIDADE

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Entre todos os presentes que ganhamos ao nascer, a capacidade de perceber a beleza do mundo é o mais precioso.
Com os olhos, apreciamos cenas e vistas maravilhosas.
Com os ouvidos, escutamos canções e melodias tocantes.
Com o toque e o paladar, descobrimos e saboreamos delícias infinitas.
Os sentidos são dotados de um poder oculto e eficaz, com capacidade de fazer-nos acordar da letargia do ‘hábito’ diário que comumente nos ocorre.

A varinha de condão que espalha o pó mágico sobre tudo que as pessoas ouvem, tocam e vêem se chama: atenção.

A coisa mais maravilhosa da atenção é sua fluidez.
Como a água, ela flui sem esforço a partir da fonte original, em algum ponto da mente.
Mesmo que, na maior parte do tempo, a atenção apenas toque com suavidade a superfície das coisas, dando-lhes um tom agradável, ela pode também penetrar nos mais recônditos cantinhos, destacando detalhes mínimos sob sua poderosa lente de aumento.A atenção permite que se perceba a beleza de um terreno baldio, de uma ponte, de um estacionamento, até de uma parede nua, de um campo verde e o cerrado queimado contrastando suas peculiaridades de cada um, ao lado da estrada por qual viajamos.Também é capaz de revelar a você o que ninguém mais vê: o som das folhas voando na brisa, a determinação da velhinha que atravessa um cruzamento movimentado, as cores dos guarda-chuvas coloridos dançando sobre a multidão.
Enquanto que, a pessoa quando fica absorta em si mesma (e se transforma em refém de seu diálogo interior), a realidade do dia-a-dia torna-se banal.
Sem dar atenção às coisas, tudo se torna uma mancha, um nada –
um “e daí...?"
A caminho do encontro com o amado, você ensaia mentalmente o que vai dizer.
Num restaurante de luxo, lê o longo cardápio.
Ao chegar em casa, verifica as mensagens na secretária eletrônica.
Absorta em seus pensamentos, não observa o que acontece em sua volta.
E por que deveria?
Em seu modo de ver, não está acontecendo nada.
Mas... espere!
Tem certeza de que nada acontece?
Ou será que o que você considera nada não é o prelúdio de alguma coisa muito importante?


- O silêncio da igreja antes da noiva dizer o “sim”;
- o suspense antes de a cortina subir;
- a pausa antes do primeiro aplauso;
- o momento de respirar fundo antes de assinar um contrato de aluguel;
- o toque em seu ombro antes de se virar;
- o suspiro do bebê ao adormecer;
- o silêncio que precede as primeiras notas da sinfonia.

Antes da orquestra começar a tocar, o regente ergue a batuta para criar o que, em linguagem musical, se chama anacruse – uma nota fraca que precede uma forte.
Da mesma forma, cada momento pode ser interpretado como uma nota sutil, um breve intervalo entre o que era e o que está por vir.
Para descobrir as maravilhas da vida, você só tem de se imaginar erguendo a batuta do regente.
Com esse gesto mental, estará prestando atenção ao mundo. Instantaneamente, tudo entra em foco: o livro sobre a mesa, a panela no fogão, as flores no vaso, o quadro na parede...
É um momento em que despertada da letargia habitual, você se depara com belezas vistas e ainda não enxergadas e isto lhe traz uma profunda satisfação em perceber que há algo mais do que um simples 'olhar'... é quando sentimos a sensibilidade à flor da pele, na visão, no paladar, no olfato, no tato, na audição.
Cinco sentidos que até então não era apercebido como deveriam ser.
É uma das melhores descobertas!
Ouçamos!
Vejamos!
Toquemos!
Sintamos!
Cheiremos... de verdade!
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