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13 de março de 2012
A ARTE EM OBSERVAR
Entre todos os presentes que ganhamos ao nascer, a capacidade de perceber a beleza da vida é o mais precioso.
Com os olhos, apreciamos cenas e vistas maravilhosas.
Com os ouvidos, escutamos canções e melodias tocantes.
Com o toque e o paladar, descobrimos e saboreamos delícias infinitas.
Os sentidos são dotados de um poder oculto capaz de contagiar aos demais.
A varinha de condão que espalha o pó mágico sobre tudo que as pessoas ouvem, tocam e vêem se chama 'observação'.
A coisa mais maravilhosa da observação é sua fluidez.
Como a água, ela flui sem esforço a partir da fonte original, em algum ponto da mente.
Mesmo que, na maior parte do tempo, a observação apenas toque com suavidade a superfície das coisas, dando-lhes um tom agradável, ela pode também penetrar nos mais recônditos cantinhos, destacando detalhes mínimos sob sua poderosa lente de aumento.
A observação permite que se perceba a beleza de um terreno baldio, de uma ponte, de um estacionamento, até de uma parede nua.
Também é capaz de revelar a você o que ninguém mais vê: o som das folhas voando na brisa, a determinação da velhinha que atravessa um cruzamento movimentado, as cores dos guarda-chuvas coloridos dançando sobre a multidão.
Já quando a pessoa fica absorta em si mesma ( e se transforma em refém de seu diálogo interior), a realidade do dia-a-dia fica muito banal.
Sem dar atenção às coisas, tudo se torna uma mancha, um nada – um “e daí?”.
A caminho do encontro com o amado, você ensaia mentalmente o que vai dizer.
Num restaurante de luxo, lê o longo cardápio.
Ao chegar em casa, verifica as mensagens na secretária eletrônica.
Absorta em seus pensamentos, não observa o que acontece em sua volta.
E por que deveria?
Em seu modo de ver, não está acontecendo nada.
Mas espere!
Tem certeza de que nada acontece?
Ou será que o que você considera “nada” não é o prelúdio de alguma coisa muito importante?
- O silêncio da igreja antes de a noiva dizer o “sim”;
- o suspense antes da cortina subir;
- a pausa antes do primeiro aplauso;
- o momento de respirar fundo antes de assinar um contrato qualquer;
- o toque em seu ombro antes de se virar;
- o suspiro do bebê ao adormecer;
- o silêncio que precede as primeiras notas da sinfonia;
- o instante que antecede à uma decisão.
Antes de a orquestra começar a tocar, o regente ergue a batuta para criar o que, em linguagem musical, se chama 'anacruse' – uma nota fraca que precede uma forte.
Da mesma forma, cada momento pode ser interpretado como uma nota sutil, um breve intervalo entre o que era e o que está por vir.
Para descobrir as maravilhas da vida, você só tem de se imaginar erguendo a batuta do regente.
Com esse gesto mental, estará observando com atenção aos detalhes imperceptiveis a muitos.
Instantaneamente, tudo entra em foco: o livro sobre a mesa, a panela no fogão, as flores no vaso.
É o momento mágico, um gostoso ponto de partida, como o “era uma vez” que dá início a todos os mitos e fábulas... da nossa imaginação.
Fale - expresse-se menos em palavras, e, observe mais... é sábia esta atitude!
Pense nisso!
***
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