1 de junho de 2012

SÓ VIVEMOS UMA VEZ!




Só vivemos uma única vez nesta vida!
Não há outra, como muitos pensam... 
Não teremos outra vez.
Não, ninguém espere outra chance.
Nascemos condenados ao horror de ver a ampulheta sangrar areia, os calendários acelerarem, os relógios se fracionarem em milésimos de segundos.
Vamos morrer.
E depois que tudo tiver cumprido o seu destino, restará o quê?
Diremos: “E agora, que a faca cortou, a lira tocou, o sol iluminou e o soldado matou?”.
Sobrarão nossos vestígios.

Um dia todos passarão.
Não ficará ninguém para observar nada.
Meros rastros empoeirados testemunharão para o vazio que alguém andou por aqui.
Mas a estrada permanecerá deserta.

Como serão os escombros?
Nas universidades, livros, teses, nomes, que nada significam; nos museus, paisagens mortas; nos quartéis, medalhas enferrujadas; nos bancos, cofres lacrados; nos templos, bolor.

Depois de exercer a sua missão, o próprio tempo deixará de existir.
Não haverá antes e depois.
O assobio do vento não precisará viajar até ouvidos atentos.
Se antes tudo era mudança, tudo se tornará estático.
Terminarão as causas e os efeitos.
Cessarão os contrastes.

Sem olhos, não existe beleza.
Vitrais intactos perderão o esplendor; ninguém vai declarar alumbramento. Serão inúteis: por do sol, lua cheia, maré em ressaca, pororoca.
Flautas, trompetes, pianos, pandeiros, harpas, jazerão em palcos desabitados diante de auditórios ausentes.

Somos um nadinha no tempo e nossa vaidade, uma neblina.
O Eclesiastes também quer sacudir:
“O destino do homem é o mesmo do animal; o mesmo destino os aguarda. Assim como morre um, também morre o outro. Todos têm o mesmo fôlego de vida; o homem não tem vantagem alguma sobre o animal. Nada faz sentido! Todos vão para o mesmo lugar; vieram todos do pó, e ao pó todos retornarão” [3.19-21].

Não demora e tudo deixará de ser.
Breve seguiremos o caminho dos mortais, bem como o próprio planeta, que se apagará como se apagam as estrelas.
Desapareceremos todos como desaparecem os vermes.
Portanto, enamoremo-nos.
Vivamos o instante impreciso.
Aspiremos o ar como se dele viesse o elixir da juventude.
Abandonemos resmungos.
Não nos exilemos nas masmorras que a neurose cria.

O tempo se chama agora.
O dia é hoje.
A vida é eterna devido à impermanência – eixo paradoxal.

Tornemo-nos jardineiros de prados.
Saiamos das estufas climatizadas.
Sejamos menos especialistas e mais aventureiros.
Corramos mais riscos.
Desobedeçamos aos cabrestos.
Testemos nossa forma afoita que nos ocorre.
Encarnemos a abundancia do afeto.
Assumamo-nos no que temos de MELHOR.

Antes que chegue o fim, fecundemos a vida com ternura.
Borboleteemos o pólen do amor.
As moradas eternas são vizinhas nossas.
Mudemo-nos para lá enquanto é tempo.



29 de maio de 2012

SÓ O AMOR-PAIXÃO NÃO BASTA




Estou às voltas dos preparativos do casamento da minha caçulinha com meu genrinho Fernando...  e, aproveitando o tema... 
Algumas dicas.

Aos que não casaram,
Aos que vão casar,
Aos que acabaram de casar,
Aos que pensam em se separar,
Aos que acabaram de se separar.
Aos que pensam em voltar…
Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja.

O AMOR É ÚNICO,
como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.
A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue,
A SEDUÇÃO...tem que ser ininterrupta…
Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança, acabamos por sepultar uma relação que poderia SER ETERNA

Casaram. 
Te amo pra lá, te amo pra cá.
Lindo, mas insustentável.
O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas.
Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes, nem necessita de um amor tão intenso.
É preciso que haja, antes de mais nada, RESPEITO.

Agressões zero.
Disposição para ouvir argumentos alheios. 
Alguma paciência… Amor só, não basta. 
Não pode haver competição. 
Nem comparações. 
Tem que ter jogo de cintura, para acatar regras que não foram previamente combinadas. 
Tem que haver... BOM HUMOR... para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades.
 Tem que saber levar.
Amar só é pouco.
Tem que haver (sabedoria) e inteligência.
Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas para pagar.
Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar.
Tem que ter um bom psiquiatra. 
Não adianta, apenas, amar.
Entre casais que se unem , visando à longevidade do matrimônio, tem que
haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um.
Tem que haver confiança. Confiança na pessoa amada assim como auto-confiança.
Certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou.
É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão.
E que amar “solamente”, não basta.
Entre homens e mulheres que acham que O AMOR É SÓ POESIA, 
tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. 
Tem que saber que o amor pode ser bom pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.
O amor é grande, mas não são dois.
Tem que saber se aquele amor faz bem ou não, se não fizer bem, não é amor. 
É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.
O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.
Um bom Amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!
 ***

1 de maio de 2012

A PALAVRA É... INTENSIDADE!

A palavra do dia é... Intensidade.
Força, expressão, veemência.
Pode ser que a neutralidade facilite boa parte do caminho pela frente, mas, a emoção estaria comprometida. 
Ser intenso é demonstrar de modo a surpreender.
Tão intenso quanto sol que brilha numa tarde de verão, é o amor que se sente. 
É dominante, rendido, desarmado.
Existem muitas formas de amar, não sei dizer se há uma certa - se é que ela existe, porém, vale uma ressalva.
O importante é ser marcante para alguém, sendo determinante, sendo seguro, amando com todas as suas forças, fazendo a diferença na vida das pessoas.
Você pode viver e não produzir nada, não marcar ninguém, ser neutro, contudo, você pode passar por essa vida e fazer das suas atitudes, lembranças boas... inesquecíveis.
Tudo o que se faz em vida, ecoa na eternidade.
Então, uma dica: mova-se!
Você pode pegar o ônibus e ser mais um passageiro, você pode pegar o ônibus e ser O passageiro; tudo depende da escolha que você fizer, tudo depende do que você quer deixar.
O amor nos permite loucuras que, em sã consciência, talvez, nos travasse, mas, a força do sentimento que envolvem as pessoas e as levam a se apaixonarem, provoca reações incontroláveis, intensas.
Amar alguém exige paciência e sabedoria.
Não basta gostar, não basta amar, tem de ser intenso.
Um aperto de mão tem de fazer o outro sentir: firmeza.
Um abraço tem que transmitir força e cumplicidade.
Um beijo tem de conter, vontade, desejo, intensidade.
Você tem que se fazer notar.
O amor pode englobar um único cometa ou todo universo. 
A intensidade com que amamos faz de todo o resto, apenas, parte do contexto. 
Amar presume dedicação, presença (ainda que distante), cuidados com o outro.
Então, que sejamos todos sábios a ponto de ponderarmos atitudes para nossa felicidade. 
Sejamos sempre intensos, marcantes, vitais... inesquecivelmente 'únicos'.
A intensidade nos sentimentos se faz necessária. 
Portanto, não deixe a chance passar, viva e se relacione com profundidade. 
Com o tempo, você verá que a sua intensidade, se for verdadeira, trará bons frutos, dentre eles: a felicidade e a reciprocidade.
Você vai notar... pois só quem sente pode retribuir tal intensidade.

É, muito bom ser intenso e receber esta dádiva da intensidade.
Experimente! 
***


24 de abril de 2012

AUTO-DESABAFO



***
Desde menina que invariavelmente me pego - final de noite - fazendo um balanço do dia, semana, ano... de forma especial, a auto-análise é fatal, quase que diáriamente me tornou condição sine qua non (indispensavel).
Característica pessoal.
Em razão disso... tenho passado dias, semanas até sem fazer uma das coisas que mais gosto: escrever.
Hoje... reinicio com mesmo objetivo: dizer algo que venha do coração, sem máscaras, sem camuflagem, sem nenhuma forma outra que não seja a verdade, por menos bonita ou dolorosa que seja.

O Tempo que me resta 

Os anos me revestiram de uma impenitente obstinação.
Persisto.
Não me intimido no pavor de ser jogada na direção do imponderável.
A experiência de lidar, constantemente, com alegrias e decepções, tristezas e triunfos me deixou com uma estranha sensação: nada pode espantar-me.
Paradoxalmente, insisto na teimosia e abandono o desafio de mover montanhas.
Por anos, esqueci de contar os meus dias.
Desperdicei tempo.
Trabalhei incansavelmente.
Estudei... Estudei... Estudei... e, continuo estudando, senão, fico pra trás.
Engajada, tentei construir castelos improváveis.
Perdi-me no ativismo de um otimismo exarcebado.
Abracei mais projetos do que podia – muitos não passavam de fuga.
Dei passos maiores do que as pernas.
Na correria, evitei monologar.  
Quebrei espelhos para não ficar cara a cara comigo mesma. 
Devaneios onipotentes serviram para desancorar a jangada do porto de minha realidade. 
Delirei com utopias messiânicas.
Desenraizei-me.
Hoje, com poucas folhas no calendário (rs), tento redobrar cada instante.
Redescubro o ócio, ainda que esteja à frente de uma enorme responsabilidade junto à uma Instituição familiar, trabalhando, trabalhando, trabalhando...
Reaprendo a rotina.
Desejo reencontrar-me no des-sufoco.
O dia sem espalhafato me basta. 
A noite, sozinha... me dá refrigério.
Quero viver, simplesmente viver, saboreando detalhe por detalhe do que faz parte da vida.
Sim, consciente dos obstáculos e sem quixotismo, Ser... simplesmente Ser.
Mesmo consciente de que alguma tragédia possa rondar a minha casa, proponho a mim mesma perder a pressa.
Sair da marcação cerrada do relógio que nos condiciona-incondicionavelmente.
Consternada, noto um vazio embaçando os olhos de antigos e até atuais amigos .
Vazio tenebroso.
Entristecida por vê-los roubados de si mesmos, tatuo na pele um mandamento: viva com intensidade!
Não quero perder a alma.
Marco a ferro o imperativo de amar o belo, a justiça, o bem.
A idade através do tempo, abre os meus olhos.
Noto ventanias assobiando pelas frestas do castelo que outrora considerei inexpugnável.
Eu, adolescente afoita, cedo para a mulher da esperança cauta, estava presa, só não queria admitir.
A construção de uma personagem me consumiu – custou-me caro.
Hoje, escancaro janelas e portas.
Declaro-me devassável.
Assumo minhas fragilidades.
Conscientizo-me com minhas vulnerabilidades.
Permito-me... errar, sem culpas e medos.
Perco o receio de admitir minhas limitações, e, da mesma forma, conheço de perto, meu potencial. 
Já não me tranco para o vento impetuoso que espalha o pó das vaidades.
Entre o desempenho e a contemplação, prefiro apaziguar os olhos.
Aprimoro a dança, que me faz tão bem... afinal, quem já foi bailarina clássica, não deixa de ser .
Serena, espalho o bálsamo que sara feridas.
A pausa tem poder de cura.
O Eclesiastes avisa: existe tempo para tudo.
Sim, há tempo, inclusive, de fechar olhos e ouvidos.
Tempo de ir para o escuro e esperar o feitiço do ódio desaparecer, a mágoa da injustiça, abrandar.
Do silêncio, arrancar forças que esvaziam antigos messianismos – todos travestidos de piedade.
Chego a ouvir o barulho do meu rancor, disfarçado de religiosidade, perdendo cada vez mais, força.
A minha paz precisa dessa fonte de bonança.
Desejo a sensibilidade de escutar um ribeiro, que se espreme entre pedras.
Procuro, entre vários barulhos, o murmúrio dessas águas despretensiosas.
Entro na época própria de declarar: já não me empolgo com o rugir das marés.
Prefiro as suaves sinfonias.
Em mim, a violenta rebentação dos oceanos cede espaço para a sinfonia dos regatos.
Sim, permiti que se grudassem abatimentos e azedumes no coração.
Ainda carrego um bornal com pedregulhos ásperos – metáfora de memórias que cortam.
Não as coleciono com orgulho.
As quinas afiadas de meu passado dolorido carecem de um tempo moroso, que me permita burilar todas as perdas e pedras. 
Cansada de sentir os cardos da desilusão, também necessito descobrir a terapia de passear em jardins, praças, coretos... (será que ainda existem?)
Já me falaram de pessoas restauradas pela beleza das flores e pelo cheiro da mata.
Quem sabe eu reaprenda a sentar em cadeiras de balanço e saiba cultivar uma quietude capaz de fazer-me coincidir comigo mesma, pois, amo o silêncio.
Prometo: hei de deitar-me, serena, como fazia nos tempos de menina; vou balançar na rede e deixar o ranger dos ganchos aquietar o sono.
Guardo saudades melancólicas.
Visitada por uma nostalgia triste, recuso perder quem eu amo.
Eis porque me esforço tanto para passar um cadeado na amargura e desvencilhar-me do narcisismo tolo de querer salvar o mundo.
Devo proteger as únicas riquezas que me restam: meus queridos. 
(Aviso raposas e chacais: – Vocês não destruirão as minhas vinhas; não permitirei que vocês invadam o território onde protejo a minha matilha), porque sou mulher e homem pra isso.
Disponho de menos tempo do que já vivi.
Pretendo degustar cada dia com a delicadeza que ele merece.
Os anos que me restam podem ser poucos, mas não serão banais.
Com certeza!
Tenho dito.
***

13 de março de 2012

A ARTE EM OBSERVAR


Entre todos os presentes que ganhamos ao nascer, a capacidade de perceber a beleza da vida é o mais precioso.
Com os olhos, apreciamos cenas e vistas maravilhosas.
Com os ouvidos, escutamos canções e melodias tocantes.
Com o toque e o paladar, descobrimos e saboreamos delícias infinitas.
Os sentidos são dotados de um poder oculto capaz de contagiar aos demais.
A varinha de condão que espalha o pó mágico sobre tudo que as pessoas ouvem, tocam e vêem se chama 'observação'.
A coisa mais maravilhosa da observação é sua fluidez.
Como a água, ela flui sem esforço a partir da fonte original, em algum ponto da mente.
Mesmo que, na maior parte do tempo, a observação apenas toque com suavidade a superfície das coisas, dando-lhes um tom agradável, ela pode também penetrar nos mais recônditos cantinhos, destacando detalhes mínimos sob sua poderosa lente de aumento.
A observação permite que se perceba a beleza de um terreno baldio, de uma ponte, de um estacionamento, até de uma parede nua.
Também é capaz de revelar a você o que ninguém mais vê: o som das folhas voando na brisa, a determinação da velhinha que atravessa um cruzamento movimentado, as cores dos guarda-chuvas coloridos dançando sobre a multidão.
Já quando a pessoa fica absorta em si mesma ( e se transforma em refém de seu diálogo interior), a realidade do dia-a-dia fica muito banal.
Sem dar atenção às coisas, tudo se torna uma mancha, um nada – um “e daí?”.
A caminho do encontro com o amado, você ensaia mentalmente o que vai dizer.
Num restaurante de luxo, lê o longo cardápio.
Ao chegar em casa, verifica as mensagens na secretária eletrônica.
Absorta em seus pensamentos, não observa o que acontece em sua volta.
E por que deveria?
Em seu modo de ver, não está acontecendo nada.
Mas espere!
Tem certeza de que nada acontece?
Ou será que o que você considera “nada” não é o prelúdio de alguma coisa muito importante?
- O silêncio da igreja antes de a noiva dizer o “sim”;
- o suspense antes da cortina subir;
- a pausa antes do primeiro aplauso;
- o momento de respirar fundo antes de assinar um contrato qualquer;
- o toque em seu ombro antes de se virar;
- o suspiro do bebê ao adormecer;
- o silêncio que precede as primeiras notas da sinfonia;
- o instante que antecede à uma decisão.
Antes de a orquestra começar a tocar, o regente ergue a batuta para criar o que, em linguagem musical, se chama 'anacruse' – uma nota fraca que precede uma forte.
Da mesma forma, cada momento pode ser interpretado como uma nota sutil, um breve intervalo entre o que era e o que está por vir.
Para descobrir as maravilhas da vida, você só tem de se imaginar erguendo a batuta do regente.
Com esse gesto mental, estará observando com atenção aos detalhes imperceptiveis a muitos.
Instantaneamente, tudo entra em foco: o livro sobre a mesa, a panela no fogão, as flores no vaso.
É o momento mágico, um gostoso ponto de partida, como o “era uma vez” que dá início a todos os mitos e fábulas... da nossa imaginação.

Fale - expresse-se menos em palavras, e, observe mais... é sábia esta atitude!
Pense nisso!
                                                                 ***

6 de março de 2012

ANSIEDADE... O MAL DO SÉCULO

***

A ansiedade é uma Droga.
Uma das piores que existem.
Foi por esta razão que Jesus dedicou tanta atenção a ela.
Mateus 6 expressa bem a preocupação de Jesus com o poder adoecedor da ansiedade.
A ansiedade essencial é fruto da desconfiança básica de todo homem.
O que se crê é que ele, o homem, é o responsável pela sua própria vida e saúde, enquanto é ameaçado de todos os lados, tanto pela competição horizontal, como também pelo sentimento de abandono em relação a Deus.
Daqui nascem todos os males!
Então, entra em campo o time da ansiedade, com todos os seus infindos craques de angustia e surtos de insegurança e carência, e, paradoxalmente, tomado de ambição e desejos fantasiosos de segurança e poder.
Ansiedade gera neurose assim como também produz uma mente paranóica.
A pessoa cai no “responsabilismo neurótico”, ou, então, entra no estado de desconfiança essencial [paranóia], amedrontada em relação ao que possui, e que pode lhe ser tirado, tanto por homens, como por doenças ou pragas invisíveis.
Ora, essas coisas nascem da ansiedade assim como a retro-alimentam.
Então a ansiedade-neurótico-paranóica gera a Síndrome do Pânico, a Hipocondria, a Depressão e os surtos de perseguição ou de angustia e medo de morrer.
Na base de quase todas as enfermidades da mente está a desconfiança essencial.
Ora, a desconfiança essencial é a primeira filha da ansiedade do mesmo modo em que é a sua mãe.
Sim! Pois o ansioso cai na desconfiança essencial, e a insegurança essencial é o que gera ansiedade.
É o ciclo da morte...
A cura para esse mal é a fé.
Por isso Jesus apenas mandou confiar no amor do Pai.
E mostrou como é idiota pensar diferente.
Afinal, pergunta Ele, quem pode o quê?
E mais do que confiar, Jesus disse que a cura total dessa ansiedade essencial em de se buscar em primeiro lugar o reino de Deus em nós.
O reino de Deus em nós!...
O reino de Deus em nós é construído do material da confiança que o coração possua quanto ao amor de Deus por nós.
O reino cresce com amor!...
Sim! Ele só se dilata em nós pelo amor e pela confiança no amor de Deus!...
Quem crê que é amado pelo Amado, esse anda sem ansiedades...
Ora, isto muda até mesmo a configuração de nosso cérebro de suas produções uímicas...
Muda tudo!
Você quer?
Jesus diria: Vem e vê! —; afinal, esse cardápio não é para ser conhecido, é para ser comido como vida — pela fé!

***


29 de fevereiro de 2012

MEU CANTINHO...MINHA VIDA TAMBÉM...

***

Como é bom voltar pra casa!
Para cada cantinho que seu cuidado e amor construíram, onde você faz seu ninho, até de baguncinhas...
Em casa tudo é melhor; tudo tem seu jeito, seu cheiro, seus afundamentos físicos — do travesseiro às cadeiras (rs).
É o lugar onde as noites não escurecem a visão, onde tudo é achado de olhos fechados, onde os recantos são países de cultura própria e as flores são conhecidas desde o broto.
Duas semanas fora de casa, e as árvores mudam, os recantos gritam suas saudades, e cada coisa parece ter se ressentido de sua ausência.
Voltamos para casa, somente eu... uma filha ficou no Rio, os mais próximos estenderam a estada, a de lá permaneceu em outro lugar maior e melhor.
Dói.
Dói deixá-los, mesmo aqueles que depois voltarão...
Dói muito mais beijar os que ficam... (Mãezinha e Paizão)
Por outro lado, quanto aos filhos — todos adultos — é tão bom ver que eles são eles; que vivem bem sem você; que sentem sua falta, mas que sabem viver suas vidas com felicidade e total desenvoltura.
Alguns filhos parecem mudar quase nada, jamais... outros vivem em estados mutantes, ainda em fases de procura de si mesmos ou de alguém ou algo...
Faz parte!
Você se lembra de si mesma quando os observa... e, portanto, aguarda com mais calma do que eles o que eles ainda em sofreguidão parecem procurar...
Estar com eles, todos juntos, é festa até quando cansa.
O simples fato de vê-los em conversas entre si parece ser para você o assistir a uma festa na sala de um Palácio.
Eles são a sua coroa de gloria na Terra.
Como é bom também ver que as energias deles são infindáveis para tudo...
Você ama, aproveita, mas, de vez em quando, quer um canto, um quarto, uma cama de silêncio...
Então, dá uma descansadinha e volta...
E lá estão eles, imbatíveis em suas conversas, em seus planos e suas armações de praias e saídas noturnas — chova ou faça sol.
Então você lembra que um dia já foi assim também.
Lembra, mas não sente saudade... afinal, ir amadurecendo e sossegada é muito bom mesmo.
Dizem que quem casa quer casa, e, quer mesmo...
Todavia, quem mais quer casa é aquela para quem ela e a casa se casaram na vida, no cotidiano, nos detalhes, nas lembranças, nos confortinhos de coisas mínimas, nas certezas de notas e pedacinhos de papel, de livros na estante, de Biblia Sagrada na cabeceira da cama para ser aberta e lida e refletida e revelada em seu coração pelo Espirito Santo de Deus.
Ali está o silencio da sua vida, bem como estão os ritos do seu cônjuge (quando o tem vivo ao seu lado)
São os mesmos ruídos de sempre... são as mesmas calmas dinâmicas... são até os mesmos pássaros, dos quais você já conhece os hábitos e até os ninhos e os horários.
Tenho muita pena de quem tendo casa não ama nela estar, sim, dos que se servem da casa como apenas um lugar... sem cara, sem identidade, sem o tricô das muitas historias e historinhas... com as marcas e até pequenas sujeirinhas: um pé de um filho fez aquilo...; um vinho manchou aquele assento...; uma chuva violenta quebrou aquele galho...
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Dorme-se melhor em casa.
Acorda-se melhor em casa.
Fica-se doente em melhor conforto em casa.
E quando falo de casa, não falo de um lugar especifico, mas sim de sua relação com qualquer lugar no qual um dia suceda o outro com amor nas esteiras de um tempo de mínimas acomodações históricas e psicológicas.
Casa - que pode ser um Flat ou apartamento - de fato, somos nós... nós na nossa paz... nós na expressão de nossas histórias e almas.
Assim, a casa (apartamento) é sempre própria, mesmo quando não lhe pertence — como é o caso da minha - atualmente -, e que não é minha.
Entretanto, depois de alguns anos, até o proprietário sente que o que pertence a ele, é, de fato, seu; pois carrega seu cheiro, sua cara, suas tralhas, seu amor, seus cuidados e suas histórias de vida, carinho e reverencia para com a vida vivida naquele lugar.
A gente viaja.
Vai a lindos e confortáveis lugares.
Os aproveitamos, os curtimos...
Mas não há nada melhor do que abrir a porta da nossa casa, de volta para o mesmo que tem o poder de se renovar na mesmice que não pede mudanças fora, mas apenas a seqüencia da paz de dentro.

Creio que no curso da vida eu tenha viajado muito.
Todavia, não é de hoje que assim me sinto.
E com o passar do tempo, assim me torno.
Sim, mais uma mulher de casa; mais um ente de cantinhos; mais uma mente que viaja sem precisar sair do lugar.
Dentro de um mês devo viajar outra vez.
Mas não é pela casa que cansou.
Farei isto para dar à mente um choque de ambiências, o que é também saudável para a renovação da vida.
Tudo, porém, visando o retorno; pois, como sempre dizemos ao voltar, nada é melhor do que estar neste lugar/existencial que chamo 'cantinho'... lugar de estar e de ser.
Sim; pois este cantinho é lugar de ser; de santificar; de andar como quem caminha à volta da Sarça Ardente.
Por isto se diz: “Portas à dentro em minha casa eu terei um coração sincero”.
Daí também se mandar viver “a vida comum do lar com toda dignidade e bom senso, a fim de que não sejam interrompidas as nossas orações”.

Casa-Cantinho sou eu e todos os que comigo vivem, ainda que temporariamente.
Todos os que compartilham o mesmo pão juntos e que constroem rotinas de vida harmônica.
No caso de você viver sozinho [a], sei que é a mesma coisa, posto que, meu cantinho verdadeiro está em outra Cidade do Paraná, desde que o espirito sereno esteja sempre lotado de boas companhias invisíveis aos olhos... porém, sentidas como paz naquele lugar.
Sim!
Casa é ethos, é telhado de bem que nós fazemos para o conforto do nosso ser!
Portanto, não importando onde você viva um dia depois do outro, faça um bom cantinho em você... o qual criará extensões singelas e simples, mas que serão você.

NEle... em Quem tenho a minha eterna morada, cheia de cantinhos meus e Dele...
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