Os
homens sofrem tanto por amor, assim como as mulheres?
Sim,
eles sofrem, e mais agudamente do que nós, porque foram adestrados a não
revelarem sentimentos de modo explícito como o fazemos (e podemos, sem críticas
por nos expressarmos, ao contrário deles).
A dor
sufocada arrebenta por dentro, mas eles se mantêm impassíveis.
Não
vemos um homem se despedaçando em convulsivo choro ou se rasgando todo quando
atravessa uma crise amorosa.
É possível
que faça isso tendo apenas o travesseiro como testemunha, porque, no mais das
vezes, os homens são discretos no esboço de sua dor, que apenas os mais íntimos
conhecem.
Talvez
por isso a nossa desconfiança de que eles jamais sofrem e que se posicionam,
sempre, na condição de algozes, jamais de vítimas numa relação de amor, e ambas
são indesejáveis.
Por não
encontrarem boa acolhida à dor que sentem, os homens se escondem em suas
cavernas interiores e não saem de lá antes que estejam preparados para construir
uma nova história.
Porém,
nem todos fazem isso.
Muitos
tomam o exato sentido contrário e se transformam naqueles tipos execráveis, a
quem chamamos de “galinhas”.
Apregoam
que liberdade era tudo o que queriam, mas desmentem isso com o vazio que experimentam
no girar da chave na porta sem ter alguém à espera (e mãe não vale!).
Sem
avaliar os sentimentos masculinos, reproduzimos a famigerada oposição entre os
gêneros, que em nada contribui para o bom convívio dos humanos.
Aborrecidas
e impacientes com os motivos deles, nós os deixamos de lado, os transformamos
em bons amigos e não acreditamos que eles sejam capazes de estabelecer vínculos
duradouros.
Estas
são reações adequadas às expectativas deles, pois enquanto não estiverem
curados, não quererão um relacionamento aprofundado nas emoções.
Ficarão
com várias mulheres e nenhuma o terá por inteiro, pois parte dele está
aprisionada no passado que ainda repercute mágoas não resolvidas.
A
postura da fera ferida é, de duas, uma: o recolhimento na toca ou a luta.
Manter-se no refúgio representa fraqueza para eles, cobrados que sempre são em
coragem e decisão.
A luta
não é para curar o machucado, mas para provar que está vivo, apesar da alma em
frangalhos.
Para o
homem, lutar até que se esgote o sofrimento significa cair na farra como se
estivesse feliz, para depois chorar sozinho e em silêncio.
O cara
que está na rua todos os dias será aquele que vai louvar a boa rotina de mãos
dadas com a mulher de sua vida, quando estiver com ela.
Os
amigos contribuem, e muito, para que o homem se negue a experimentar a dor em
toda a sua profundidade.
Se ele
sofre, os outros o catam no meio de seu caos amoroso e o chamam à diversão, que
não é verdadeira, mas entretém e faz passar mais depressa as horas.
A
cabeça, porém, não está ali, mas junto com o coração – sim, eles têm um! – que
repete incansavelmente trechos da vida com a pessoa amada, que já saiu do
cenário, mas não dos sentimentos.
A
saudade aperta, mas ele se impõe resistir bravamente.
Com os
olhos no passado, eles não enxergam outras pessoas, por melhores que elas
sejam.
É de se
acreditar quando eles dizem que não é nada conosco, mas com eles.
Geralmente
estão sinceros, mas a gente duvida.
Se um
homem está sofrendo por amor, a pior boa ideia que uma mulher pode ter é
investir na iniciativa de abordagem para a conquista.
É grande
a probabilidade de perda de tempo, com avarias na própria autoconfiança.
Para
eles o assédio feminino não é tão lisonjeiro quanto parece.
Além de
não saberem o que fazer com isso, ficam terríveis e inconfessadamente
constrangidos.
Esse é
um papel que os homens se reservam, e a nossa alternativa é a sutileza.
Afinal,
a mulher permite a conquista e a ela se rende.
Digam o
que disserem, isso não mudou.
Ainda.














